Motorola com suporte a idioma indígena

A Motorola continua a abraçar a inclusão por meio do conceito “Tecnologia mais inteligente para todos” e acrescentou duas línguas indígenas ameaçadas de extinção em seus dispositivos, tornando-se a primeira fabricante de telefones celulares do mundo a dar suporte a um idioma indígena falado na Amazônia. 

Durante a apresentação dos novos integrantes da família Moto G (G10, G30 e G100), a fabricante confirmou que todos os seus aparelhos já lançados que receberem o Android 11 ganharão opção para serem configurados em dois idiomas indígenas da América Latina que estão ameaçados de extinção: o Nheengatu, ou Tupi moderno, e o Kaingang. A iniciativa contou com apoio da Universidade de Campinas (Unicamp), em São Paulo, e do pesquisador em Antropologia cultural e de línguas indígenas, prof.º Wilmar D’Angelis. O projeto teve como principal objetivo dar acesso às línguas indígenas por meio da tecnologia, visando também a preservação e perpetuação das mesmas no mundo digital.

Nenhuma das línguas indígenas faladas no Brasil ou nos demais países da América Latina estão presentes no Android. Tampouco esses idiomas faziam parte do padrão de codificação de caracteres universal, que compõe os fundamentos para inclusão e representação digital em interfaces digitais.

O Kaingang é uma língua nativa do povo Kaingang, que habita estados como São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), apenas metade da comunidade ainda fala o idioma, considerado “definitivamente ameaçado”, classificação dada quando crianças não aprendem mais a língua como primeiro idioma.

O Nheengatu, ou Tupi moderno, é ainda mais grave. A língua é originária do Tupi, idioma falado pelos nativos quando os portugueses chegaram ao território que veio a se tornar o Brasil, e é considerada uma das mais importantes do país. Hoje, segundo a UNESCO, apenas 6.000 pessoas ainda falam o Nheengatu, considerado “severamente ameaçado”. Essa classificação antecede a extinção, e é dada quando avós e gerações mais antigas falam o idioma em questão, mas não se comunicam com os mais jovens ou mesmo entre si por meio dele.

A companhia revela ainda que mais línguas ameaçadas serão adicionadas futuramente, e que o projeto será Open Source, permitindo que qualquer desenvolvedor, companhia ou fabricante o utilize. A ideia da iniciativa seria chamar atenção para as comunidades e incentivar assim outras companhias de tecnologia a investir em projetos semelhantes. A equipe da Motorola planeja trabalhar com o Google para adicionar as linguagens ao GBoard.

Rafael Mota

*Tech/creator do Inteligência Móvel (IM) * Nerd/geek (Pete Mineiro ⛏ da Cavalaria Geek). * [email protected]