Wi-Fi 7 pode destravar até US$ 10 bilhões em investimentos e acelerar a transformação digital no Brasil
O Brasil poderá mobilizar mais de US$ 10 bilhões em investimentos em infraestrutura de conectividade nos próximos três anos com a adoção do Wi-Fi 7, tecnologia que permitirá destravar o potencial da banda larga de alta velocidade e sustentar a próxima geração de serviços digitais no país. A estimativa está no white paper “Desenvolvimento da Indústria de Wi-Fi no Brasil (2026-2028)”, lançado nesta segunda-feira no Mobile World Congress (MWC) Barcelona 2026, em parceria entre a Huawei e o IPE Digital.
O estudo mostra que, apesar de o Brasil contar com 47 milhões de usuários de banda larga fixa e presença de Wi-Fi em 91% das residências, a experiência real de conectividade ainda é limitada por gargalos nas redes locais, especialmente em ambientes com alta densidade de dispositivos ou aplicações intensivas em dados. Nesse contexto, o Wi-Fi 7 surge como elemento estratégico para viabilizar o uso pleno das redes de fibra óptica e suportar novas aplicações digitais.
“O Wi-Fi tornou-se a principal interface de acesso à internet para a população e para as empresas. O Wi-Fi 7 representa uma evolução fundamental para transformar a infraestrutura existente em uma plataforma capaz de suportar inteligência artificial, cidades inteligentes e novos modelos de negócio digitais”, afirma Carlos Roseiro, ICT Marketing Director, Huawei Brasil.
Segundo o artigo, o impacto econômico do Wi-Fi já é significativo: o valor associado à tecnologia no Brasil alcançou US$ 124 bilhões em 2025, abrangendo serviços, equipamentos, aplicações e conectividade em ambientes públicos e privados. Com a evolução para o Wi-Fi 7, a expectativa é gerar receitas adicionais anuais de até US$ 3 bilhões em equipamentos e até US$ 1,5 bilhão em novos serviços, além de reduzir custos operacionais das empresas em até 30%.
O estudo também aponta que a tecnologia poderá contribuir diretamente para o desenvolvimento econômico e social, com potencial de criar entre 150 mil e 200 mil empregos e impulsionar o PIB brasileiro em até 1,2% ao ano, ao viabilizar aplicações como educação digital, telemedicina, automação industrial e agricultura conectada.
Outro fator que impulsiona essa transformação é a rápida evolução do ecossistema. Atualmente, cerca de 2,5% dos dispositivos em uso no Brasil já são compatíveis com Wi-Fi 7, e a expectativa é de crescimento acelerado a partir de 2026, com a chegada da tecnologia a aparelhos de gama média e a expansão da oferta por provedores de banda larga.
“O Brasil tem condições únicas para liderar a adoção do Wi-Fi 7 na América Latina, graças à forte expansão da fibra óptica e ao dinamismo do mercado de telecomunicações. A atualização da infraestrutura Wi-Fi será decisiva para transformar a conectividade em uma base sólida para a economia digital”, afirma Agostinho Linhares, diretor-executivo do IPE Digital.
O lançamento do white paper no MWC Barcelona reforça o protagonismo do Brasil no debate global sobre a evolução das redes sem fio e sua importância para o desenvolvimento tecnológico e econômico do país.
Entre os principais benefícios apontados pelo estudo estão:
- suporte a aplicações avançadas como inteligência artificial, realidade aumentada e automação industrial;
- melhoria significativa da experiência do usuário, com maior velocidade, estabilidade e menor latência;
- viabilização de novos serviços digitais com velocidades acima de 1 Gbit/s;
- expansão da conectividade em setores estratégicos como educação, saúde, agricultura e indústria.
