CrowdStrike alerta para ataques com IA
A inteligência artificial mudou completamente o cenário da segurança digital. O que antes dependia de ataques manuais feitos por hackers agora acontece de forma automatizada, rápida e em escala global.

Durante um encontro exclusivo para a imprensa promovido pela CrowdStrike, executivos da empresa revelaram dados preocupantes sobre o avanço dos ataques impulsionados por IA. As informações foram apresentadas por Jeferson Propheta e Marcos Ferreira.
O avanço da IA generativa e dos modelos de linguagem acelerou o poder de ataque dos criminosos virtuais. O que antes exigia conhecimento técnico avançado e horas de trabalho manual, agora pode ser automatizado em segundos.

Segundo os dados apresentados pela CrowdStrike, o tempo médio de “breakout time” em 2025 chegou a apenas 29 minutos. O breakout time representa o intervalo entre a invasão inicial e o momento em que o criminoso começa a se movimentar lateralmente dentro da infraestrutura da empresa.
O dado mais alarmante foi o menor breakout time registrado no ano: apenas 27 segundos.
Na prática, isso significa que modelos tradicionais de defesa, dependentes de análise humana e respostas manuais, simplesmente não conseguem acompanhar a velocidade atual das ameaças.
Com a adoção acelerada de copilots, assistentes inteligentes e ferramentas baseadas em LLMs, empresas passaram a conectar modelos de IA diretamente a sistemas internos, bancos de dados e plataformas corporativas. Permitindo o crescimento dos ataques de injeção de prompt
O problema é que muitas organizações acabam liberando permissões excessivas em nome da produtividade.
Desenvolvedores e usuários finais reduzem barreiras de segurança para facilitar integrações, criando uma nova superfície de ataque extremamente sensível.
Segundo os especialistas da CrowdStrike, o erro não está na tecnologia em si, mas na ausência de governança sobre como esses agentes de IA acessam, compartilham e manipulam informações corporativas.

A CrowdStrike também destacou um aumento de 89% nos ataques realizados com apoio de inteligência artificial e um crescimento de 42% na exploração de vulnerabilidades de dia zero antes mesmo da divulgação pública das falhas.
Entre os principais usos da IA por criminosos estão:
- Criação rápida de novas variantes de malware
- Geração de e-mails de phishing mais convincentes
- Descoberta acelerada de vulnerabilidades
- Ataques globais sem barreiras de idioma
Outro ponto de atenção é o crescimento dos ataques de injeção de prompt, técnica usada para manipular modelos de IA com comandos ocultos.
Os especialistas explicaram dois cenários principais:
- Injeção direta, quando o comando malicioso é enviado diretamente ao sistema
- Injeção indireta, quando o código escondido está em documentos, sites ou arquivos analisados pela IA
Além disso, a empresa alertou que investigar um único alerta de segurança pode levar entre 20 e 40 minutos, enquanto organizações já lidam com milhares de notificações diariamente.
Para a CrowdStrike, o único caminho viável é usar automação e inteligência artificial também na defesa, permitindo detectar, isolar e neutralizar ameaças em tempo real.
