Pesquisa mostra que apenas 24% dos brasileiros levam em conta a marca ao pesquisar compras no Google
A era em que a reputação de uma grande marca bastava para garantir a venda na internet ficou para trás. É isso que aponta uma pesquisa feita pela Rank Certo, agência de Marketing Digital especialista em Link Building, em parceria com a Opinion Box.
Segundo o estudo, o consumidor brasileiro abandonou a fidelidade tradicional e passou a priorizar a oportunidade do momento. Quando pesquisam um produto no Google, apenas 24,8% dos compradores levam em consideração a marca do fabricante na decisão final.
Intitulado “Da busca à recomendação: como Google e IA influenciam as compras dos brasileiros”, o levantamento também mostra que o fator marca ficou na lanterna do interesse do público. Na hora de escolher o que colocar no carrinho, o bolso e a utilidade prática do item falam mais alto: as promoções pontuais são citadas por 41,6% das pessoas, enquanto a qualidade percebida do produto atinge 58,8% das menções.
Esse comportamento desapegado tem terreno fértil nas categorias em que o valor do investimento é mais alto. A busca por produtos no buscador se concentra fortemente no setor de eletrônicos, citado por 75,2% dos entrevistados, seguido por vestuário e calçados (64,4%), cosméticos (42,4%) e itens de móveis e decoração (41,2%).
O hábito de pesquisar pela internet antes de pagar é menos expressivo em compras do dia a dia, como alimentos e bebidas, que aparecem com apenas 26%, conforme a pesquisa da Rank Certo. Para Felipe Cardoso, CEO da empresa, que é co-autora do estudo, os dados mostram uma maturidade digital do brasileiro.
“O consumidor aprendeu a usar o motor de busca e a inteligência artificial como uma espécie de filtro prévio e a decisão final é um ato de autoproteção, ainda mais quando estamos falando de compras de produtos importantes, fruto de sacrifício e até sonhos”, afirma.
Inteligência artificial organiza a vitrine, mas não convence
Diante dessa mudança no perfil do consumidor, o varejo apostou no avanço dos assistentes virtuais e da inteligência artificial para tentar reconquistar a atenção do cliente e personalizar a experiência de compra. A tecnologia, no entanto, ainda enfrenta desconfiança sobre seu poder real de persuasão.
Embora 73,6% dos pesquisados reconheçam que as recomendações que aparecem no Google parecem feitas sob medida e 91,6% concordem que a ferramenta facilita a navegação, o impacto prático dessa tecnologia na decisão é limitado. Apenas 57,2% dos consumidores dão notas altas (4 ou 5) para a influência efetiva da inteligência artificial no momento em que decidem pagar por um produto.
Para o mercado, o estudo deixa claro que o algoritmo do Google funciona como um excelente organizador de prateleiras digitais, mas não atua como vendedor final. Em um ambiente com dezenas de opções importadas e nacionais a um clique de distância, o consumidor brasileiro tornou-se pragmático: usa a tecnologia para pesquisar, ignora o apelo das marcas consagradas e fecha o negócio onde a relação entre custo e utilidade for mais vantajosa.
