Intel aposta em AI PCs no Brasil
Em entrevista ao Inteligência Móvel, Ricardo Matos, Gerente de Desenvolvimento de Vendas da Intel Brasil, detalhou a estratégia da companhia para acelerar a chegada dos novos PCs com inteligência artificial ao mercado nacional. A proposta combina produção local, novos processadores com foco em IA e uma arquitetura pensada para eficiência energética, segurança corporativa e autonomia de bateria.
Segundo Ricardo, a parceria entre Intel e Positivo já ultrapassa 24 anos e agora entra em uma nova fase com a chegada das plataformas Panther Lake e Wildcate Lake, voltadas para a era dos AI PCs.
Durante a conversa, Ricardo explicou que o principal desafio da Intel atualmente é tornar os computadores com IA acessíveis sem transformá-los em produtos de nicho.
A estratégia envolve entregar dispositivos mais acessíveis para empresas, profissionais liberais e também para o varejo, mantendo recursos avançados de processamento local de inteligência artificial.
“A boa notícia é que vamos ter mais novidades da Intel para o mercado brasileiro com produção local e produtos com custo mais interessante para o consumidor brasileiro”, destacou.
De acordo com o executivo, o projeto começou ainda em 2024 e exigiu um trabalho intenso entre engenharia, logística e certificações para reduzir o tempo de lançamento no Brasil. Antes, o intervalo entre anúncio global e chegada local podia ultrapassar nove meses.
Agora, com novos acordos e produção mais alinhada ao mercado nacional, a Intel conseguiu encurtar esse ciclo.
Um dos temas centrais da entrevista foi segurança de dados em PCs com IA rodando localmente.
Ricardo comentou sobre a crescente preocupação das empresas com o processamento de informações diretamente nos computadores dos funcionários, principalmente após discussões recentes envolvendo o uso do poder computacional local para treinamento de modelos de IA.
Segundo ele, a plataforma Intel vPro ganha ainda mais relevância nesse cenário.
CrowdStrike foi citada como exemplo de parceira que já utiliza a NPU dos novos chips Intel para executar verificações de segurança localmente sem sobrecarregar CPU ou depender constantemente da nuvem.
“Agora alguns workloads de segurança ficam rodando diretamente na NPU, reduzindo latência e aumentando proteção”, explicou Ricardo.
A ideia é permitir que tarefas de monitoramento, detecção de ameaças e validação de segurança sejam feitas localmente com menor consumo energético.
Outro destaque da entrevista foi a evolução das NPUs (Neural Processing Units).
Ricardo afirmou que a nova geração dos chips Intel já alcança até 50 TOPS apenas na NPU, podendo chegar a 180 TOPS quando somadas CPU e GPU.
Isso permite executar aplicações de IA localmente com mais eficiência, além de abrir espaço para softwares mais avançados.
Segundo ele, já existem mais de 500 aplicações sendo adaptadas ou desenvolvidas para explorar essa nova arquitetura.
Empresas como Adobe e desenvolvedores corporativos já começam a utilizar esse novo ecossistema.
Mercado corporativo deve liderar adoção
A Intel acredita que o mercado corporativo será o primeiro grande impulsionador dos AI PCs no Brasil.
Grandes empresas dos setores financeiro, saúde e telecomunicações já utilizam soluções em parceria com a Positivo.
Ricardo citou companhias como Claro, Itaú Unibanco e Unimed entre os clientes que já trabalham com soluções da marca.
A expectativa é que profissionais liberais como médicos, arquitetos, dentistas e criadores de conteúdo também passem a utilizar esse tipo de equipamento para processamento de imagens, vídeos e aplicações de IA.
Além da inteligência artificial, Ricardo destacou outro benefício importante da nova arquitetura: eficiência energética.
Segundo ele, os novos chips conseguem direcionar tarefas leves para núcleos extremamente eficientes, reduzindo consumo e calor.
Isso permitirá notebooks mais leves, finos e com autonomia muito superior às gerações anteriores.
“Já vemos equipamentos chegando perto de 27 horas de bateria dependendo da aplicação”, afirmou.
A redução do consumo também ajuda fabricantes em um momento delicado do mercado de memória, que enfrenta aumento de preços e menor disponibilidade global.
Questionado sobre possíveis parcerias acadêmicas, Ricardo confirmou que a Intel já possui relacionamento com universidades brasileiras como Universidade de Brasília e Universidade Estadual de Campinas.
Segundo ele, o objetivo é aproximar estudantes e pesquisadores do desenvolvimento de aplicações otimizadas para IA local.
A própria Positivo também deve atuar fortemente nesse segmento, aproveitando sua tradição no setor educacional.
Para Ricardo Matos, o mercado caminha rapidamente para uma nova geração de computadores focados em inteligência artificial embarcada.
A chegada dos novos processadores Intel deve acelerar esse movimento tanto no setor corporativo quanto no varejo.
Os primeiros produtos com Wildcate Lake devem chegar ao Brasil já nas próximas semanas, enquanto os modelos mais avançados com Panther Lake devem ganhar escala ao longo de 2027.
A promessa é clara: PCs mais inteligentes, seguros, eficientes e preparados para um futuro onde a IA roda cada vez mais perto do usuário — e menos dependente da nuvem.
