Mundo Motorizado

Condução de motos e scooters elétricas mudam hábitos de condução nas grandes cidades

O crescimento das motos e scooters elétricas no Brasil vem transformando a experiência de condução e os deslocamentos urbanos sobre duas rodas. Diferentemente dos modelos a combustão, veículos elétricos apresentam aceleração imediata, ausência de trocas de marcha, menor vibração mecânica e funcionamento silencioso, características que modificam retomadas, frenagens e a interação do motociclista com o trânsito nas grandes cidades. Ao mesmo tempo, recursos eletrônicos embarcados ampliam conforto, estabilidade e controle durante a pilotagem, cenário exemplificado por modelos como a Keeness e a GFX6, da Yadea.

Entre as principais diferenças da pilotagem elétrica está a entrega instantânea de torque. Sem necessidade de troca de marchas, a aceleração ocorre de maneira linear e contínua, reduzindo interrupções durante retomadas e permitindo respostas mais rápidas em saídas de cruzamentos, mudanças de faixa e deslocamentos em corredores urbanos. Por outro lado, a condução exige uma percepção diferente por parte do condutor.

Segundo He Dongsheng, gerente-geral da Yadea na América do Sul, a eletrificação sobre duas rodas está criando uma experiência de pilotagem no ambiente urbano. “Os veículos elétricos possuem características diferentes das motocicletas tradicionais a combustão. A aceleração é imediata, a condução é mais fluida e há menos interferências mecânicas durante o deslocamento. Isso permite uma pilotagem mais confortável e integrada à dinâmica das cidades”, afirma.

O executivo explica que a evolução tecnológica dos modelos elétricos também vem ampliando recursos voltados à estabilidade e ao controle durante a pilotagem. “Hoje já existem soluções que auxiliam diretamente a condução urbana, especialmente em situações de baixa aderência, frenagens mais bruscas e deslocamentos em vias congestionadas. A tecnologia passou a ter papel importante não apenas em desempenho, mas também em previsibilidade e controle do veículo”, destaca.

Entre os modelos da Yadea que exploram esse conceito está a Keeness, motocicleta elétrica desenvolvida para combinar performance urbana, estabilidade e ergonomia. O modelo utiliza motor central com pico de 11.000 W, oferecendo entrega instantânea de potência e respostas rápidas de aceleração, característica típica da motorização elétrica e que reduz o atraso de retomada comum em motos de baixa cilindrada movidas a combustão.

Além da performance, a Keeness reúne recursos normalmente encontrados em motocicletas de maior categoria, pouco comuns entre modelos urbanos de entrada. Entre eles está o sistema de freio CBS com discos dianteiro e traseiro, que distribui a frenagem entre as rodas e auxilia estabilidade em frenagens emergenciais. O modelo também conta com suspensão dianteira invertida e amortecedor central traseiro, conjunto que melhora rigidez estrutural, absorção de impactos e controle em curvas, pisos irregulares e mudanças rápidas de direção.

Outro diferencial está nos aros de 17 polegadas, medida normalmente associada a motocicletas de maior porte e que favorece estabilidade em velocidades mais elevadas, melhor absorção de imperfeições do solo e maior previsibilidade em curvas urbanas. O modelo ainda possui sistema inteligente de recuperação de energia durante frenagens, convertendo energia cinética em carga para a bateria e contribuindo para maior eficiência operacional no uso diário.

A ergonomia também aparece como um dos fatores relevantes na condução urbana. Segundo a fabricante, a posição de pilotagem da Keeness foi projetada para reduzir fadiga em deslocamentos prolongados, mantendo alinhamento mais confortável entre braços, coluna e cintura. Em trajetos urbanos marcados por congestionamentos e longos períodos de uso contínuo, a redução do desgaste físico pode contribuir para maior atenção do condutor durante a pilotagem.

Outro ponto que começa a ganhar relevância na mobilidade elétrica é o silêncio operacional dos veículos. A redução significativa de ruído e vibração diminui fadiga e torna a condução mais confortável em centros urbanos e contribui para a redução da poluição sonora nos grandes centros. Essa característica também é um fato que merece atenção no trânsito, como explica o executivo:

“Em modelos elétricos, o motociclista passa a ter uma experiência de condução mais silenciosa, fluida e conectada ao ambiente urbano. Isso contribui para deslocamentos mais confortáveis e amplia a percepção da dinâmica ao redor durante a pilotagem, permitindo a antecipação de movimentos e condução mais defensiva, especialmente em corredores urbanos e áreas de grande circulação”.

Além das motocicletas de perfil mais esportivo, scooters elétricas também incorporam tecnologias voltadas à condução urbana. A GFX6, por exemplo, utiliza recursos como controle de tração (TCS) e controle de descida (HDC), sistemas que auxiliam estabilidade em pisos escorregadios, rampas e situações de baixa aderência. O modelo também conta com iluminação full LED de alta intensidade e conectividade inteligente, ampliando visibilidade e interação do condutor com o veículo no uso diário.

Para a Yadea, a expansão da mobilidade elétrica sobre duas rodas deverá transformar não apenas a matriz de deslocamento urbano, mas também a própria relação dos motociclistas com tecnologia, segurança e comportamento no trânsito. A expectativa da fabricante é que, à medida que os veículos elétricos avancem no mercado brasileiro, cresça também a necessidade de adaptação dos hábitos de condução, ampliando o debate sobre direção defensiva, conectividade e uso inteligente dos recursos eletrônicos embarcados no cotidiano das cidades.

Rafael

Rafael de Souza Mota é especialista em tecnologia, mobilidade e inovação, criador do Inteligência Móvel. Atua como gerente de projetos e produz reviews, análises e conteúdos sobre smartphones, gadgets, automóveis e lifestyle digital.