Como escolher e fazer a troca correta do óleo para prolongar a vida do motor
O óleo é essencial para manter o bom funcionamento do carro, mas é comum haver dúvidas sobre como medir seu nível, o momento ideal da troca e que tipo de lubrificante escolher entre tantas opções existentes no mercado. Para destrinchar o assunto, o primeiro passo é entender a função que esse produto desempenha no motor.
“O óleo é o sangue do motor, provê a redução de atrito das peças, previne desgastes prematuros, melhora a performance no consumo de combustível e na dirigibilidade”, explica Alexandre Queiroz, gerente de Engenharia de Serviços da Ford América do Sul.
Tipos de óleo
Há predominantemente três tipos de óleo básico para a formulação dos lubrificantes. O tipo um é para óleos de menor qualidade. O tipo dois, com qualidade um pouco melhor, entra na formulação de lubrificantes minerais. O tipo 3, mais puro, é usado nos lubrificantes sintéticos, como os da linha Motorcraft.
“Além disso, cada óleo tem uma composição, com cerca de 80% de óleo básico e 20% de aditivos, que têm um custo inversamente proporcional”, diz Marcos Vicente, gerente de Estratégia e Marketing de Pós-Vendas da Ford.
A “sopa de letrinhas” na embalagem do óleo indica o teor de viscosidade de acordo com a temperatura. O primeiro número determina a viscosidade quando o veículo está frio e o segundo, quando ele opera no maior nível de funcionamento.
Nos motores mais modernos, com menos folga, quanto menor a viscosidade mais rápido o óleo atinge as partes altas do motor, auxiliando na partida a frio. Ao escolher um óleo, é importante ver também a especificação API (americana) ou ACEA (europeia) e as classificações definidas pela montadora, para garantir o nível correto de aditivação.
O óleo sintético tem todas as moléculas padronizadas. Já o mineral, não, e em um motor novo, com nível de ajuste alto, essa variação pode trazer danos ao equipamento. A norma americana API tem siglas como SN ou SP. O S indica veículo a combustão com vela (Spark). A segunda letra, teoricamente, quanto maior, mais alto é o nível de atualização do lubrificante.
“Mas nem sempre o mais atual é o melhor para o seu carro. O principal é usar o óleo recomendado no manual do proprietário, que foi testado e validado para o veículo”, diz o especialista.
Quando trocar
A troca do óleo deve ser feita pela quilometragem ou tempo de uso. O padrão é 10.000 km ou 12 meses. Em uso severo – como tráfego constante de anda e para – a troca deve ser feita antes. Os veículos Ford, desde os modelos 2024, trazem uma tecnologia de algoritmo, o sistema inteligente de vida útil do óleo (IOLM), que calcula o momento ideal da troca.
“Quem determina o tipo e tempo de troca do óleo é o fabricante do veículo e não o do óleo. Se o óleo recomendado pela montadora é o 5W30, por exemplo, ele deve ser usado sempre, seja com 1.000, 100.000 ou 200.000 km. Não existe óleo para motor cansado – óleo mais grosso para motor que já rodou muito. Isso é errado”, explica Marcos Vicente.
Usar lubrificante errado no motor causa desgaste prematuro, consumo excessivo de combustível, superaquecimento, perda de potência e outros problemas, como a formação de borra que acaba entupindo os dutos de lubrificação interna e pode causar pane.
Como medir
A verificação do nível do óleo deve ser feita sempre que houver oportunidade, semanalmente ou a cada 15 dias, por meio da vareta. E se houver pingo de óleo na garagem, procure uma oficina. Para medir corretamente, o veículo deve estar em nível reto e com o motor frio. Se ele estiver quente, aguarde no mínimo 15 minutos para o óleo descer até o cárter.
“É comum o motorista parar no posto e a vareta indicar que está faltando óleo. É que, com o motor quente, o óleo está circulando no motor e não há tempo dele descer para fazer a medição correta”, afirma Alexandre Queiroz.
Completar o óleo, nesse caso, além de provocar vazamento traz o risco de misturar produtos diferentes, que pode gerar borra, mudar a viscosidade, causar entupimentos e danos no motor. A recomendação é a cada troca de óleo substituir também o filtro, para eliminar todas as impurezas. Como o filtro tem um custo menor que o do óleo, é uma economia que não vale a pena.
“A tecnologia dos lubrificantes aumentou muito nos últimos anos, de univiscoso para multiviscoso, com aditivos que protegem também os componentes internos de borracha do motor”, diz Marcos Vicente. “Nós não fabricamos o óleo, mas temos a receita e contratamos um ‘cozinheiro’ para fazer a nossa linha de lubrificantes Motorcraft, que é desenvolvida sob os mais rígidos padrões globais para oferecer a proteção máxima exigida pela engenharia.Por trás desse produto tem muita gente trabalhando e muita tecnologia.”
Este também foi o tema de um podcast do Papo de Oficina, canal da marca de peças originais Ford Motorcraft para reparadores
