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Apps regionais da Machine movimentam R$ 2 bilhões e crescem como alternativa ao modelo da Uber

A chegada da Uber ao Brasil, em 2014, reorganizou o mercado de mobilidade e abriu um efeito colateral menos evidente: a criação de uma camada de tecnologia voltada a operadores locais que não tinham escala para competir diretamente com grandes plataformas.
 

É nesse contexto que a Machine, fundada por Bruno Muniz e Ricardo Góes, ganha espaço ao funcionar como infraestrutura para aplicativos regionais de mobilidade e entrega. Em vez de desenvolver um app do zero, centrais de táxi, mototáxi e grupos de motoristas passaram a usar a plataforma para operar seus próprios serviços, com marca própria.
 

O movimento inicial veio da adaptação defensiva de centrais de táxi e mototáxi à lógica dos aplicativos. Em muitas cidades, especialmente fora dos grandes centros, o mototáxi já tinha papel estrutural na mobilidade local, e a digitalização serviu mais para organizar a operação do que para criar um novo serviço.
 

Vinícius Guahycoordenador de conteúdo e comunidade da plataforma, explica que, com a consolidação dos aplicativos de transporte, motoristas organizados também passaram a buscar alternativas às plataformas globais, pressionados por taxas e pela perda de previsibilidade econômica. “A barreira, no entanto, era tecnológica: construir um aplicativo próprio exigia capital e estrutura que a maioria desses grupos não tinha”, diz.
 

A proposta da Machine foi reduzir essa barreira. A solução oferece toda a infraestrutura, dos aplicativos para passageiros e motoristas aos sistemas de gestão e pagamentos, permitindo que operadores locais passem a controlar sua própria operação digital.
 

A pandemia acelerou a expansão para o delivery e, com a queda nas corridas de mobilidade, parte dos clientes migrou para entregas, movimento que acabou se consolidando como segundo eixo do negócio. Hoje, a tecnologia também conecta restaurantes, motoboys e marketplaces de entrega.
 

Em 2025, mais de 1,2 milhão de motoristas e entregadores utilizaram aplicativos baseados na tecnologia da Machine, que movimentaram mais de R$ 2 bilhões. No mesmo ano, a Gaudium, empresa responsável pela Machine, foi adquirida pela Vela Latam, grupo global de software, mantendo a operação sob os fundadores.
 

“O resultado é um modelo híbrido. Em vez de competir diretamente com grandes plataformas, a tecnologia viabiliza uma rede de aplicativos regionais que operam em paralelo ao ecossistema dominante de mobilidade no país”, destaca Guahy.

Rafael

Rafael de Souza Mota é especialista em tecnologia, mobilidade e inovação, criador do Inteligência Móvel. Atua como gerente de projetos e produz reviews, análises e conteúdos sobre smartphones, gadgets, automóveis e lifestyle digital.