Anéis inteligentes: a tecnologia a serviço da saúde
O interesse por dispositivos que monitoram indicadores de saúde continua em expansão. Segundo a International Data Corporation (IDC), o mercado global de wearables cresceu 9,1% em 2025, impulsionado principalmente pela busca por tecnologias voltadas ao acompanhamento da saúde e do bem-estar. Entre os produtos que mais despertam atenção estão os anéis inteligentes, que conquistam espaço por serem discretos, confortáveis para uso contínuo e capazes de acompanhar indicadores como qualidade do sono, frequência cardíaca, recuperação física e nível de atividade ao longo do dia.
Para Bruna Makluf, nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em saúde intestinal e metabólica, o interesse por esse tipo de tecnologia acompanha uma mudança na forma como muitas mulheres enxergam o próprio corpo. Em vez de buscar apenas resultados na balança, cresce a preocupação em entender por que determinados hábitos funcionam para algumas pessoas e não para outras. “Durante muito tempo, a alimentação foi analisada quase isoladamente. Hoje sabemos que sono, recuperação física, estresse e rotina também interferem na resposta do organismo. Os dispositivos ajudam a visualizar esses padrões, mas eles precisam ser interpretados dentro do contexto de cada pessoa.”
Essa mudança acompanha o avanço das pesquisas sobre a influência do sono na saúde. Em atualização publicada em 2025, a American Heart Association passou a reconhecer a qualidade do sono como um dos pilares fundamentais da saúde cardiovascular e metabólica, ao lado da alimentação, da prática de atividade física e do controle dos fatores de risco.
Na avaliação da especialista, justamente por registrar informações ao longo das 24 horas do dia, os anéis inteligentes conseguem revelar aspectos da rotina que normalmente passam despercebidos. “Nem sempre a pessoa percebe que está dormindo mal há semanas ou que nunca consegue se recuperar completamente entre os treinos. Quando esses dados aparecem organizados, fica mais fácil relacionar o que acontece na rotina com sintomas como cansaço, dificuldade para emagrecer ou queda na disposição.”
Para quem é indicado
Por funcionar integrado ao protocolo da WeFit, o anel faz parte da jornada de acompanhamento nutricional da empresa, mas também pode ser utilizado por pessoas que não apresentam nenhum problema de saúde e desejam apenas acompanhar o funcionamento do próprio organismo, entendendo como fatores como sono, estresse, recuperação física e rotina influenciam o bem-estar. Dentro desse contexto, o dispositivo tende a fazer mais sentido para:
- Pessoas que desejam conhecer melhor o próprio corpo, mesmo sem estarem em tratamento ou em processo de emagrecimento, acompanhando indicadores como qualidade do sono, recuperação física e nível de atividade ao longo do tempo;
- Pacientes que relatam dificuldade em identificar a causa de oscilações no peso, na disposição ou no rendimento diário, mesmo seguindo o plano alimentar orientado;
- Pessoas em processo de emagrecimento ou reeducação alimentar, para quem fatores como qualidade do sono e recuperação física podem interferir diretamente nos resultados;
- Quem já realizou os testes genéticos ou de microbiota intestinal oferecidos pela WeFit e busca complementar essas análises com dados da rotina coletados entre uma consulta e outra;
- Pacientes que têm dificuldade de relatar com precisão hábitos de sono, treino ou recuperação durante a consulta, e para quem o registro automático do anel substitui a necessidade de “lembrar e descrever” a rotina.
Bruna destaca que um dos maiores equívocos é imaginar que esses dispositivos oferecem respostas prontas. “O anel inteligente amplia a leitura da rotina, mas não faz diagnóstico nem determina sozinho o que deve ser mudado. Os dados precisam ser analisados junto com alimentação, exames, histórico de saúde e objetivos pessoais. O número, sozinho, raramente explica o que está acontecendo.”
Outro ponto de atenção é a ansiedade provocada pelo excesso de informações. Para a nutricionista, acompanhar indicadores de saúde não deve se transformar em uma nova fonte de cobrança. “A tecnologia deve ajudar a compreender tendências e não criar a sensação de que existe um resultado perfeito para ser alcançado todos os dias. O corpo oscila naturalmente e isso faz parte da fisiologia. O importante é observar padrões ao longo do tempo.”
Cinco cuidados antes de confiar apenas nos dados do seu anel inteligente
Segundo Bruna Makluf, alguns cuidados ajudam a utilizar essa tecnologia de forma mais consciente:
- Observe tendências ao longo de dias ou semanas, e não apenas um resultado isolado.
- Evite comparar seus indicadores com os de outras pessoas, já que cada organismo responde de maneira diferente.
- Não faça autodiagnósticos com base nas informações do dispositivo. Os dados precisam ser interpretados por um profissional.
- Considere o contexto da rotina. Sono, alimentação, estresse, atividade física e recuperação influenciam os resultados em conjunto.
- Use a tecnologia como uma ferramenta de apoio ao autocuidado, e não como um instrumento de cobrança permanente.
