Review: Alcatel One Touch Fire, o básico com Firefox OS

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Post retirado do Tecnoblog, autor Lucas Braga.

Sistema operacional móvel da Mozilla dá vida ao Alcatel One Touch Fire.
Por R$ 179, aparelho é o mais em conta com Firefox OS no Brasil.

Aceitei o desafio de fazer um review de um telefone diferente de tudo que já havia utilizado. Veja bem: não é comum encontrar reviews de algum telefone da Alcatel. Menos comum ainda é encontrar um review de um aparelho com Firefox OS. Sim, Firefox OS, um sistema operacional daquele navegador que você provavelmente já usou pelo menos uma vez na sua vida.

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O sistema operacional do panda-vermelho tem como missão universalizar o acesso aos smartphones, trazendo para o mundo de telefones baratos uma forma decente de acessar a internet. Com preços bastantes populares, o Alcatel One Touch Fire se diz pronto para cumprir esse pré-requisito. Será que é verdade? Passei algumas semanas utilizando o aparelho e você descobrirá logo mais.

Design e tela

Não há nada de espetacular que mereça destaque no formato do Alcatel One Touch Fire. Trata-se de um telefone com uma carcaça de plástico barato e leve, muito leve. São apenas 108 gramas. A tela, de 3,5 polegadas, tem resolução HVGA (320×480) e não é muito boa: a definição de cores não é lá das melhores. Some isso com a baixa densidade de pixels por polegada para chegar a um resultado que não se compara com as telas de smartphones um pouco mais caros.

Com 11,5 x 6,23 x 1,22 cm de tamanho, é um aparelho pequeno. Para efeito de comparação, é pouco maior que um RAZR D1 e pouco menor que um RAZR D3, embora um pouco mais largo que ambos os aparelhos. A pegada é muito tranquila, e, com o diminuto tamanho, é perfeitamente possível alcançar todos os cantos da tela utilizando apenas uma mão.

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Na lateral esquerda, encontram-se os botões para regular o volume e a entrada Micro USB, para carregamento e transferência de dados. Na parte superior, estão o botão liga/desliga e uma saída de áudio de 3,5 mm, que é o padrão convencional de fones de ouvido que nós já estamos acostumados. Na traseira, temos a tampa da bateria, com os tradicionais furos para o alto-falante e a câmera. Removida a traseira, vemos uma bateria removível de 1.460 mAh, e, embaixo, os slots para SIM card (padrão Mini-SIM, o chip do tamanho convencional) e cartão de memória microSD.

Na parte frontal, encontra-se a tela, speaker, microfone e sensor de proximidade, além de um irritante LED azul que acende enquanto o telefone está carregando. Cara, como esse LED é forte. Eu sou daqueles adeptos de que o quarto precisa ficar realmente escuro quando vou dormir. Não é nada completamente abominável, mas chega a ser inconveniente: antes de dormir, você certamente colocará o telefone com a tela virada para baixo a fim de evitar um clarão durante a noite. Ah, esse LED só acende quando o telefone está conectado. Em notificações, por exemplo, ele não faz absolutamente nada. Sinceramente, o achei completamente desprezível.

Em questão de sensibilidade, a tela não responde muito bem. Isso não seria um problema tão grave se houvesse teclado físico, mas a tela é a principal maneira de entrar dados no dispositivo. Digitar no teclado virtual nela é uma tarefa bem complicada (principalmente para mim, que estou acostumado com smartphones de tela grande). Talvez com uso mais intenso me adaptaria melhor, mas até terminar este review tive dificuldades.

A unidade que fiz os testes tem cor Pure White, mas existem outras duas outras versões: Mozilla Orange (um laranja da cor do Firefox) e Apple Green (um verde com branco). Pelo que andei vendo pelas lojas, só tem a versão branca por aqui.

O Firefox OS

Se este fosse um smartphone Android, eu provavelmente escreveria agora sobre como é a interface do fabricante, quais aplicativos estão embarcados no aparelho e por aí vai. Só que este não é um smartphone com Android.

Amiguinhos, conheçam o Firefox OS:

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Tela de bloqueio, interface e notificações

A tela de bloqueio é bem simples. Ela exibe algumas informações relevantes, como data e hora, além das notificações, caso exista alguma. As notificações apenas aparecem ali: não é possível abrir o aplicativo que te notificou direto da tela de bloqueio. Para desbloquear, basta deslizar o dedo de baixo para cima que revela dois botões: um de acesso rápido à câmera e outro de um cadeado aberto, que enfim revela o sistema operacional.

Você deve estar pensando que a interface é um pouco óbvia. E é (ainda bem). Os redondos ícones de aplicativos compõem a sua tela principal. Aí, é no melhor estilo iOS: você pode trocar os ícones de lugar e personalizá-la a seu gosto. Cada página possui suporte para 16 ícones, além dos presentes na barra inferior. Para reorganizá-los, basta pressionar e segurar um ícone, que eles logo começam a piscar. Nesse momento, você arrasta ele para a posição que deseja ou pode removê-lo.

Aliás, a barra inferior tem suporte a 7 ícones. Ela só consegue exibir 4 ícones e meio e, para ter acesso ao resto, basta girá-la. Pode parecer ridículo, mas ter 7 ícones na barra inferior é extremamente legal: você sempre usa mais do que 4 itens com frequência em seu smartphone e eles estão ali, disponíveis em qualquer tela do launcher.

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Na parte superior há relógio, nível de bateria, indicador de sinal, indicador de dados e ícones de silencioso ou desvio de chamada, caso estejam ativados, bem como o número de notificações. Puxando essa barra de cima para baixo se encontra a central de notificações, que concentra atividades tanto do próprio celular (ligações perdidas e SMS, por exemplo) como de aplicativos (cliente de chat). Você pode ocultar uma única notificação arrastando-a da direita para a esquerda, ou apagar todas simplesmente apertando a opção “Limpar todas”.

Na própria barra de notificações se encontram atalhos rápidos para desativar e ativar Wi-Fi, conexão de dados, Bluetooth, modo avião e um botão para abrir o menu de configurações. Também fica em evidência o contador de dados: você pode configurar a sua franquia de dados (pode ser mensal ou semanal, não tem a opção de diária) que ele avisa quando você estiver chegando ao limite.

Além do botão power e dos controles de volume, o Firefox OS só exige um botão físico, que é o Home. No caso do One Touch Fire, o botão nem é físico, e sim sensível ao toque, que encontramos habitualmente em alguns aparelhos com Android. Pressionando esse botão por mais tempo, dá-se acesso para a multitarefa, que exibe as páginas dos aplicativos. Para encerrá-lo, basta apertar o X.

O que tem no Firefox OS?

O Firefox OS vem com a maioria das coisas que um smartphone deve ter: um navegador, cliente de email, contatos, calendário, mapas (da Nokia!), reprodutor de música, reprodutor de vídeos, câmera, galeria de imagens, aplicativo de notas (toma essa, Android!) e uma loja de aplicativos, além de atalhos para o Twitter, Facebook, Wikipedia, YouTube e de um monte de coisas da Vivo (que podem ser removidas, aleluia!).

Em questão de funções, o Alcatel One Touch Fire tem até algumas coisinhas legais, como compartilhamento de internet via USB e Wi-Fi, rádio FM (que vem sumindo nos smartphones mais caros). O principal destaque que a Mozilla dá no Firefox OS é a busca. No campo “Estou pensando em”, você digita qualquer coisa e ele te dá informações relevantes sobre isso. Ao digitar “Cruzeiro”, por exemplo, o fundo de tela do aparelho automaticamente se altera para a do escudo do time e traz acesso rápido ao Twitter, Facebook, notícias e vídeos do melhor time do Brasil.

Busca contextual do Firefox OS: bem legal.

Busca contextual do Firefox OS: bem legal

Aplicativos

Falei mais acima que o Firefox OS vinha com atalhos para Twitter, Facebook e Wikipedia. Isso mesmo, atalhos. Atalhos esses que estão sendo colocados na Marketplace como aplicativos, só que, na verdade, nada mais são do que a versão web do Facebook e a versão web do Twitter. É como se você colocasse m.facebook.com ou m.twitter.com no navegador do seu telefone. Isso pode ser bom e ruim: bom, porque quase não ocupa espaço no telefone, e ruim, porque essas versões são muito primitivas e lentas na hora de usar. Até suportam upload de imagens, mas nada de notificações quando você receber aquela cutucada ou uma DM.

Twitter e Facebook: é como acessar os serviços pelo navegador

Twitter e Facebook: é como acessar os serviços pelo navegador

O problema é que isso acontece com quase todo o sistema: como tudo no Firefox OS é 100% em HTML5, tudo é um pouco lento e tem funções prejudicadas. Alguns problemas:

  • Procurei por um leitor de QR Code. Até existe, mas, para usá-lo, é necessário abrir a câmera, tirar uma foto do código de barras, então abrir o aplicativo e procurar a imagem na galeria para, aí sim, reconhecer tudo;
  • Esqueça utilitários que exigem manusear muitas coisas no sistema, como mensagens, agendas, etc. Não tem nenhum aplicativo para inclusão de nono dígito ou para configurar sua agenda para ligações de longa distância, algo que foi de extrema importância para moradores do RJ, SP e ES na inclusão do nono dígito;
  • O sistema não tem suporte para leitura de arquivos como PDF, Word, PowerPoint, Excel e outros padrões. E não existem alternativas para isso na Marketplace;
  • Vários desenvolvedores esquecem (?) de colocar a dashboard do aplicativo como “index”. Assim, logo ao abrir o aplicativo, você se depara com a raiz de todos os arquivos e você precisa adivinhar qual dela que você precisa abrir. Sério!

Uma das coisas que mais senti falta foi copiar/colar. Um recurso bobo que está até nos telefones mais simples não está disponível no Firefox OS. Além disso, o navegador Firefox é simples demais. Jurava que, por ser um sistema da Mozilla, o navegador seria melhor e mais completo. Não tem opção de abas anônimas e nenhuma forma de sincronizá-lo com o Firefox que você usa no PC. Mancada!

Fora isso, o grande problema é a falta de aplicativos. Estive na loja de uma operadora esses dias e a maior procura por quem estava lá era um “celular com Facebook e WhatsApp”, e não tem WhatsApp para Firefox OS e, pelo jeito, a empresa não faz a menor questão de levar o aplicativo para a plataforma. Existe até um cliente do serviço, mas ele está em alpha e não funciona muito bem.

Também não tem Skype, Instagram, Snapchat e nem mesmo Foursquare ou algum aplicativo para reconhecer a música do ambiente, como Shazam e SoundHound.

Apps no Firefox OS: vários falsos positivos e repetições

Apps no Firefox OS: vários falsos positivos e repetições

Só encontrei aplicativos gratuitos na Marketplace do Firefox OS. Entretanto, a Mozilla, em parceria com a Vivo, vai permitir que clientes da operadora possam comprar aplicativos pagos com valor debitado diretamente na conta de celular ou descontando o valor dos créditos, caso o cliente tenha um plano pré-pago.

Câmera

A câmera do Alcatel One Touch Fire é bem ruinzinha. São 3,2 megapixels e não tem nem foco automático. Sem todas as firulas dos celulares high-end, a câmera é bem fraca, mas dá pra passar batido quando consideramos que esse é um celular que custa menos de 200 reais. Confira algumas fotos tiradas por ele:

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O visualizador de imagens traz um editor simples. Com ele, é possível editar a exposição, cortar e adicionar efeitos e bordas para uma foto. De lá mesmo você pode compartilhar por email, MMS, Facebook, Twitter e Bluetooth, além de poder definir como papel de parede.

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Ele também filma, com resolução VGA a 30 frames por segundo e salva no formato 3GP. A filmagem também é bem ruim e o áudio do vídeo também não ajuda. Nada fora do esperado, dada a categoria do aparelho e do preço cobrado por ele. Confira abaixo o teste de câmera:

Multimídia

O player de música do Firefox OS é até honesto. Reconheceu MP3 e arquivos comprados da iTunes Store sem problemas. Ele também cuida da organização das músicas: basta jogar os arquivos para qualquer pasta via USB que o app cuida do resto: classificação por álbum, artista, exibição de todas as músicas e até um mosaico com as capas. Ele ainda permite que você classifique as músicas em estrelas (de uma até cinco) e consegue listar quais foram as músicas mais tocadas e recém-adicionadas, embora não seja possível criar suas próprias playlists no próprio telefone.

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O player de vídeo foi capaz de reconhecer vídeos em 3GP e MP4. Para brincar um pouco, coloquei um MP4 com resolução de 720p, mas ele nem chegou a listar o arquivo do vídeo. O aplicativo é bem simples e só permite compartilhar o conteúdo via Bluetooth. Sim, apenas por Bluetooth.

O Firefox OS já vem embarcado com ícone do YouTube. Através da interface web, é possível assistir vídeos do serviço numa boa. Ele também é compatível com o Napster e com o Grooveshark, que, inclusive, é listado na busca “Estou pensando em”. Além disso, ele suporta rádio FM, algo que está cada vez mais sumindo dos aparelhos.

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Na caixa do One Touch Fire se encontram um cabo Micro USB, o adaptador de tomada e um fone de ouvido muito simples e de qualidade duvidosa. Ele ainda acompanha com cartão de memória microSD de 2 GB, e permite que a memória do aparelho seja expandida.

Bateria

A fabricante promete autonomia de 220 horas em standby e 3 horas de conversação em rede 3G. Em rede 2G, os valores melhoram um pouco: são 280 horas em standby e 6 horas de conversação. Eu cheguei a utilizar mais de 2 horas de conversação em um único dia e ainda assim o celular terminou esse dia com quase 50% de bateria.

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Apesar de usar bastante voz nesse telefone, confesso que eu não consegui utilizar o One Touch Fire como celular principal em algum momento. Entretanto, pude notar que, com uso relativamente intenso, a bateria rende bem. Utilizei o compartilhamento de internet via Wi-Fi durante cerca de quatro horas e a bateria saiu de 100% para 86%. Eu nunca conseguiria isso num Android, iPhone ou Windows Phone.

Desempenho

O fato do Firefox OS ser um sistema completamente feito em HTML5 faz com que todas as ações no telefone sejam lentas. A simples ação de mudar a página de aplicativos transparece lentidão para quem está usando. Abrir um aplicativo, por mais simples que seja, demora uma eternidade. Por mais que a Mozilla destaque que o sistema é fluido, bato o pé e digo que não é. Coloco minha mão no fogo e digo que um Android de baixo custo apresenta maior fluidez do que o Firefox.

Não é muito nosso propósito falar de números aqui, mas, para quem curte benchmarks, o resultado do SunSpider no One Touch Fire é de 2.948 ms. Só para efeito de curiosidade, rodei o mesmo benchmark no meu Nexus 4 com um monte de aplicativos em background e várias abas no Chrome e o resultado foi de 1.200 ms. O Moto G, por sua vez, conseguiu 1.413,1 ms.

Pontos positivos

  • Preço extremamente competitivo.
  • Bateria com autonomia boa.
  • Interface intuitiva.

Pontos negativos

  • Faltam muitos apps no Firefox OS.
  • A tela deixa bastante a desejar.
  • Aparelho apresenta lentidão até nas tarefas mais simples.

Considerações finais

Sinceramente, não sei se consideraria o Firefox OS um sistema para smartphone. É certo que se trata de uma plataforma muito nova, mas o fato dos aplicativos serem completamente feitos em HTML5 não dá ideia de que você está manuseando aplicativos, e sim páginas da web. Isso qualquer webphone, como um Nokia Asha da vida, faz; não precisa de Firefox OS pra isso.

Só que o One Touch Fire é mais barato que a maioria dos Ashas: o preço em SP é de apenas R$ 179, desbloqueado e sem contratos. Isso é tão barato, mas tão barato, que é até difícil de acreditar no preço desse aparelho, mesmo considerando todos os problemas que relatei. E olha que ele nem é fabricado no Brasil, então não tem benefício fiscal. Imagina se tivesse?

Mesmo considerando todas as coisas ruins que falei, o One Touch Fire é uma excelente pedida para primeiro celular de muita gente, e, mais do que isso, uma forma bem acessível para propagar a inclusão digital. Se você é um leitor frequente do Tecnoblog, certamente esse aparelho não é o mais indicado para você – a não ser, é claro, que seja com o objetivo de ser um celular reserva.

O Alcatel One Touch Fire é comercializado exclusivamente pela Vivo aqui no Brasil. Se você for cliente de outra operadora, não tem o menor dos problemas: o aparelho vem desbloqueado e funcionou tranquilamente nas redes da TIM e Oi. Quem quiser outra alternativa de Firefox OS pode procurar pelo LG Fireweb, que custa aproximadamente 400 reais e possui hardware superior.

Especificações técnicas

  • Bateria: 1.460 mAh.
  • Câmera: traseira, 3 megapixels com gravação de vídeos em VGA a 30 fps com formato *.3gp.
  • Conectividade: 3G, Wi-Fi 802.11n, GPS, Bluetooth 3.0, USB 2.0.
  • Dimensões: 115 x 62,3 x 12,2 mm.
  • Kit contém: Alcatel One Touch Fire, fone de ouvido estéreo (3,5 mm), carregador, cabo USB e manuais de instrução.
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 32 GB (microSD de 2 GB incluso).
  • Memória interna: 156 MB.
  • Memória RAM: 256 MB.
  • Peso: 108 gramas.
  • Plataforma: Firefox OS.
  • Sensores: acelerômetro e luminosidade.
  • Tela: TFT de 3,5 polegadas com resolução HVGA (320×480).

Via Tecnoblog

Engenheiro de Computação, atuando no desenvolvimento de software a 16 anos, blogueiro iniciante e geek nas horas vagas. Atualmente possui um celular Galaxy Note 3. Gamer nas horas vagas, é fã da série Dragon Age, Mass Effect, The Elder's Scrolls.

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